O envio ao Congresso Nacional do projeto de lei que propõe o fim da escala 6x1 e a redução da jornada semanal para 40 horas, sem redução salarial, marca um dos movimentos mais relevantes das relações de trabalho no Brasil. A proposta, encaminhada com urgência ao Congresso na última semana, prevê a adoção de um modelo mais próximo do 5x2, com dois dias de descanso remunerado e manutenção integral dos salários, impactando diretamente milhões de trabalhadores regidos pela CLT.
A medida surge em meio a uma pressão social crescente por melhores condições de trabalho e equilíbrio entre vida pessoal e profissional, além de experiências nacionais e internacionais que associam jornadas menores a ganhos de produtividade. Por outro lado, há forte debate econômico e resistência de setores produtivos, que alertam para possíveis impactos em custos operacionais, inflação e nível de emprego, especialmente em segmentos intensivos em mão de obra.
Para os profissionais de Departamento Pessoal, o momento exige atenção estratégica. A eventual aprovação dessa mudança demandará revisão imediata de contratos de trabalho, políticas de jornada, escalas operacionais e acordos coletivos. Além disso, será fundamental reavaliar estruturas de custo, especialmente em empresas que operam com turnos contínuos ou escalas flexíveis. A atuação do DP deixa de ser apenas operacional e passa a ser decisiva na adaptação do negócio ao novo cenário legal.
Como preparação prática, é recomendável iniciar desde já um mapeamento das jornadas atuais, identificar funções críticas que dependem da escala 6x1 e simular impactos financeiros e operacionais da redução de carga horária. Também será essencial fortalecer o diálogo com o jurídico e com os sindicatos, além de investir em tecnologia e gestão de produtividade. Mais do que uma mudança legal, essa proposta sinaliza uma transformação estrutural no mercado de trabalho, e o Departamento Pessoal será protagonista na forma como as empresas irão atravessá-la.